8 de outubro de 2015

Um convite para a mudança





Olá queridos íntimos deste blog.

Faz um tempo que não publico nada por aqui, heim? Isto não significa que não tenho escrito nada. Pelo contrário, além da monografia (sim, estou dando adeus a universidade!) estou em novos projetos relacionados a escrita. Esta mensagem é por respeito a vocês que acompanharam estes últimos anos e colaboraram com a marca de mais de 26 mil visualizações do blog. Por carinho a vocês, vou continuar escrevendo o Intimidade Entre Estranhos, mas em novo endereço, com a casa nova. Os templates do Blogspot estão dificultando a minha vida, motivo pelo qual optei por um novo lar, o Wordpress. Espero vê-los lá.

Acesse: https://intimidadeentre.wordpress.com/
Grato pelo carinho, emails, comentários e curtidas no Face. Até logo! Sigam as redes sociais!

19 de janeiro de 2015

Saudade é palavra gasta



Partir me parece agora uma palavra que deriva de "parto" ou "dor". Estou reorganizando as palavras em seus tristes sentidos, depois de fazer chover o português lusitano em meu varal de português latino-americano. Procuro despir a semântica do meu desejo em permanecer em Portugal até secar as palavras. Coimbra é uma tocha ardente dentro de mim. Fico recolhendo retalhos de quem eu era antes de acariciar os poros das derradeiras palavras, repronunciadas com  a boca cerrada. Sinto-me um menino que ligeiramente se esqueceu a mecânica de andar e agora procura alisar o chão como recomeço. Retomba sobre mim a força bruta de recriar meus passos, e sem ter chãos para pisar ou palavras familiares para saborear, me sinto ilhado, como um descobridor de velhas terras. Todas as palavras me parecem suplicas infantis ou dogmas revisitados. Meus pés se enraízam em Coimbra como as raízes de uma arvore penetrada no Jardim Botânico, o joelho sensual da Praça da República. A minha fé pagã, que não é cega, refloresta meu culto ao presente, embora o passado me pareça um bom altar. Partir, que é verbo atuante, sussurra e assopra no relicário de sentimentalidades do meu pesar. Otimista, flerto com o tempo. Sinto no soar do horizonte a charmosa curva que oculta um oceano de novas palavras, envolvidas em novos sentidos. E diante disto, saudade é palavra gasta. Denuncio meu culto ao agora. Só me resta o novo.

B. S

15 de julho de 2014

Poema úmido



Apanhei a caneta das calças
E pensava em ti quando
Escrevi poemas
líquidos, sórdidos, pastosos.

O rijo objeto em minhas mãos,
A deixar rastros de uma tinta embranquecida
Viscosa e úmida,
Salivante.

E alimentando-te de poesia, doce e inodora
Afogavas na boca o falo das palavras
Armadas e em estado de atenção.

A tensão fiel da folha em branco,
Desnudando o prazer de te ter na minha
Boca,
Aturdida,
Com porosas sensações.

Escrevo um poema,
Da página e do chuveiro,
Oro e rogo ao dilema:
Se deixo guardado o que falo
Ou se permito escorrer pelo ralo.
(Bruno Silva, maio de 2014)

17 de junho de 2014

Dois poemas profanos e um fragmento de dor




Oração em Silêncio

Fui a um templo
Procurar paz,
Mas eles gritavam tanto
Pra Deus ouvir,
Que não havia espaço
Para sentir mais nada,
nem Deus, nem os ouvidos.

(março de 2014)

Unção

Procurei a igreja
Porque precisava
Pedir ao diabo uma trégua.
Um padre se aproximou,
Me oferecendo a unção
Milagrosa.
Eu perguntei “é quanto?”
Ele respondeu “sua alma.”
Com o diabo tava mais barato.

(março de 2014)





A Beleza e a Dor

Palavras bonitas. Eu já as conheço de longa data. Fui criado com elas. Fui crescendo ouvindo o tambor de suas surdas vozes tilintintar nos meus ouvidos. O estampido de seus interesses reais, sim, me apavora. Enquanto o discurso é montado e em cima do palanque o enfático e doce interlocutor expõe as tais palavras bonitas, minha razão chora. E por diversos motivos. A nefasta lógica por detrás daquelas palavras que soam belas e aprazíveis. O engenho precário e falacioso delas. O amor exposto como carne em açougue local. O perdão devassado. A solidariedade prostituída. Aquelas leis, mortas e sagradas, fortemente induzidas e manipuladas pelos sentimentos inferiores do mundo. Palavras bonitas. Eu já as conheço de tempos distantes. Se alguma vez elas me tocaram à alma, o fizeram não por merecimento, mas pela intensa ingenuidade dos anos que precede a maturidade. Entretanto, é bem certo, estas palavras moralmente ambíguas que me atingiram, jamais aplacaram a minha mais íntima dor. A dor diante da existência e da racionalidade perversa que pode haver na beleza. E a beleza, perante minha dor, não é nada. 

(Abril de 2014)
Bruno Silva

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