A Dança das Nuvens

lua10[1] Esta noite o botão de seus olhos
desapareceu como o reflexo
Do céu negro preso na superfície molhada
De um lago vacilante.

As nuvens confusas em suas cores
Enlaçaram teu brilho
Escondendo tua eterna e uivante
Beleza.
Mesma beleza pornográfica
Dos amantes que se estiram no campo
Para tê-la, estonteante, cheia e azulada.
Foi pressentimento de que teu gemido lacrimoso
Penhorasse meus sentidos racionais
E eu fosse capturado pela aura misteriosa
E doce que me fascina em ti.

Tua imagem em milênios, nunca foi tão linda.
E agora, lambida por estas nuvens,
Me parece ainda mais atraente, embora menos
Alcançável.
Ouço, de tempos em tempos,
O teu doce ruído na fresta das nuvens
Como que rompendo o silêncio erosivo
No deserto da alma.

É neste deserto que me aconchego,
Sem paz, sem teu brilho, seu tem colo
Condenado ao sarcasmo deste calor
Que não aquece.
D’onde os amantes sobrevividos
Desta passagem de tempo que te esconde,
Encostam o peito na rara calma dos versos.

Bruno Silva

1 comentários:

LaylaRock disse...

Gostei muito do blog, principalmente do poema o menino ao piano. Seu estilo me lembra alguns dos livros que li, sem contudo deixar de ser seu. Realmente muito bom.
http://impropriaperfeicao.blogspot.com/
Seguindo...