Algum ensaio sobre a vida e a morte. E Saramago.

Hoje, com algum cuidado, resolvi abrir uma página em branco deste blog pra simplesmente escrever alguma bobagem ou uma tese, seja lá o que for não importa. Importa apenas espalhar as palavras sobre esse papel virtual e concretizar pensamentos que desastrosamente só se concluem dessa maneira.
saramagoNão tenho a pretensão de falar das coisas importantes, se para mim, o que há de mais importante nessa vida é a própria vida e suas implicações. A pessoa, finalmente, é o que acredito ser alvo desse artigo começado por necessidade e terminado por algo que há de vir e, bem como são as coisas do futuro, não se sabe prever.
Há dias venho tentando materializar o esforço de saber o que desejo para os dias vindouros e tenho detestado a ideia de me descobrir para depois seguir em frente, já que o tempo, faceiro, não nos aguarda nem amarrar o cadarço das dúvidas. E resta ao homem inoculo a tristeza de conviver com a falta de destino e aliciado pelas causalidades. Transmitindo suas incertezas a cada ouvido que o persegue, e perseguido, fatalmente, por pessoas que mal consegue abominar.
Rendido aos olhos que dilaceram seus pesares e entremeiam ainda mais imprecisas questões. Assim sente-se a pessoa, o homem em frente aos seus desafios, no desjejum do conhecer. E na indecisão das escolhas.
Há em mim, uma imaturidade para discernir o bom e ruim, quando me faltam referências intactas desse julgamento. E o carro passa ofertando navalhas. E a vida não passa. Nem deseja passar. Deseja sim, sobressair desse estado intempérie e partir para os bons bocados de amanhã. E não pense literalmente no amanhã. Leia-se um futuro indeterminado decorrente de hoje.
O mesmo hoje que matou o literato, depois de tomado seu café. Um homem cujas ideias resistirão aos ventos da crítica desqualificada. E cujos livros nenhum me foi saboreado. E isso me entristece, porque de que forma compreende o homem à sua pessoa se não por vias dos poetas e dos literatos? Inúmeras. E isso aquece ainda mais a imprecisão do que devo chamar de pessoa. Pessoa é o outro? Pessoa é aquele que redigi suas fraquezas? Ou pessoa não é nada disso e é apenas a vontade lógica de tornar-se imortal, feito Saramago. O Homem que falou do que tanto experimentava agora experimenta o que tanto falou em vida: a morte. Incerta. Beijada. Ou pelo contrário, nesse momento esse homem está dando o braço a torcer e encontra-se em algum plano que nem acreditava. Nesse instante, teme ter errado. Mas temeu e errou tanto na vida que ainda sobra-lhe humanidade e qualidades para errar. Risadas. Vá, homem bom. Seja feliz agora no desjejum de lucidez, você que sempre foi tão lúcido. Banqueteei-se. E deixe o seu café pra outros homens bebericar.
Canto Para Minha Morte – Raul Seixas

3 comentários:

Alexandre disse...

Infelizmente ele recebeu uma carta em envelope roxo. Uma pena. :/

Priscila disse...

Muito bom o texto e também o blog,parabéns mesmo!
Estou seguindo também!
Abraço!

www.priscilainfashionland.blogspot.com

Jonathan disse...

Olá caro Bruno,
Passeando pelo blog de meu amigo Gilson, o Filosofaram, acabei por clicar em algum bendito link que me trouxe a tão dignas palavras. Fico feliz pela internet ainda servir para algo, e mais contente por encontrar um jovem pensador. Neste comentário deixo claro meus elogios à sua escrita e minha iniciativa em seguir seu blog.

Email: jonathanalves@live.it